COMUNICAÇÃO DE CRISE

 

Lampreia, J. Martins (coordenação), “Gestão de crise”, Hugin Editores, Lisboa, 2002

 

1) Preparar ou não as crises:

Há quem defenda que sim e quem defenda que não.

Luigi Norsa (pág 13) diz que é um exercicio de escassa utilidade e, se levado até às ultimas consequencias, pode até revelar-se perigoso. Com efeito uma das carectrísticas das crises é que estas nunca são iguais. Não é possível obter receitas gerais e estratégias de sucesso seguro, a partir do estudo de casos passados. A estratégia que funcionou num caso pode revelar-se contraproducente noutro (...). Só a comunicação social tende a reagir sempre do mesmo modo quando uma crise se apresenta: querem saber a razão porque aconteceu e quem é o responsável”.

Contudo, J. Martins Lampreia (pág 31) considera que “a caractérística mais importante de qualquer bom gestor é a sua capacidade de visão antecipada das situações. Em Gestão de Crise, essa intuição (para não lhe chamar premonição) é fundamental, e constitui a pedra de toque para o sucesso das operações a implementar(...). Um responsável empresarial que consiga pilotar e solucionar uma situação de risco, minimizando os custos dela decorrentes, poderá, sem dúvida, ser considerado um bom gestor. Mas um óptimo gestor será todo o indivíduo que tenha sabido detectar por antecipação o embrião de uma crise e tomado, de imediato, as medidas adequadas para a «matar à nascença»”.

Contraditório? Pelo menos aparentemente sim. O embrião é o quê?

 

2) Neste livro chamam gestão de crise ao geral e comunicação ao pós, depois de acontecer;

 

3) Principais elementos de uma crise (pág. 22). FAZER UMA FOTOCÓPIA

 

4) A reputação das empresas e dos políticos, mais do que a imagem. É o ponto 6 do programa. Fotocópia  a páginas 35 a 40, mas esta citação de david Brotzen, desde já: “A direcção não pode arriscar tratar um dos seus mais preciosos bens empresariais de um modo desenvolto (?). Os riscos para a reputação devem ser geridos com o mesmo emprenho prolixo que os riscos mais tradicionais. Os generais não esperam que a batalha grasse para erigirem as suas próprias defesas. Do mesmo modo os CEO devem construir antes as suas próprias defesas. As empresas deveriam investir em estratégias de protecção contra os riscos para a reputação mais do que gastar para sair de uma crise” (40)

 

5) Os jornalistas e as crises: Luigi Norsa (49): “os jornalistas adoram as crises, enquanto os dirigentes das empresas as detestam”.

“Numa crise (...) só os jornalistas se comportam sempre da mesma maneira: procuram uma boa notícia (“os jornalistas adoram as crises, enquanto os dirigentes das empresas as detestam”), querem saber o que é que sucedeu, de quem é a culpa, quem deve ser considerado responsável pelo sucedido e, por fim, o que é que se está a fazer para evitar a sua repetição. Faz parte do jogo e é necessário aceitá-lo. Só assim se pode trabalhar com a comunicação social, evitando que os seus interesses acabem por prejudicar os nossos. É inútil entrincheirar-se ou procurar ser evasivo. É preciso estabelecer uma relação serena com os representantes do mundo da informação, aceitando o seu papel e procurando ser uma fonte credível e respeitada. É necessário dizer só a verdade, ainda que não toda, e ajudar os jornalistas a executar o próprio dever, pretendendo, contudo, o respeito pelos próprios direitos, sem esperar deles competências técnicas que não têm e não devem ter. E é sempre importante recordar que ser compreendido é um problema de quem comunica, não de quem escuta”.

Sobre este assunto: fotocópias das páginas 51-56. “Os media durante as situações de crise”, de Eva Jannotti

Luigi Norsa (69): “Trate a comunicação como um intermediário, não como um inimigo”

“Os jornalistas têm o seu trabalho. A empresa só tem duas escolhas: entrincheirar-se no silêncio e deixar que outras fontes sejam contactadas (terceiras partes hostis, pessoas com contas a ajustar, peritos ou políticos que pretendem aproveitar  a ocasião para demonstrar que as suas teorias são certas, pessoas que podem ter qualquer interesse em meter os outros em sarilhos) ou colaborar aberta e correctamente.  A comunicação social pode servir de instrumento para chegar rapidamente a um vasto público, ou pode tornar-se parte do problema, uma fonte de injustiças, de aproximação, de informações deturpadas. Aceite as suas exigências, mostre-se aberto e cooperante e pode esperar uma retribuição mediante um tratamento objectivo e sem demasiados preconceitos”.

 

6) Os assessores e a verdade: Luigi Norsa (49): “Numa crise (...) só os jornalistas se comportam sempre da mesma maneira: procuram uma boa notícia (“os jornalistas adoram as crises, enquanto os dirigentes das empresas as detestam”), querem saber o que é que sucedeu, de quem é a culpa, quem deve ser considerado responsável pelo sucedido e, por fim, o que é que se está a fazer para evitar a sua repetição. Faz parte do jogo e é necessário aceitá-lo. Só assim se pode trabalhar com a comunicação social, evitando que os seus interesses acabem por prejudicar os nossos. É inútil entrincheirar-se ou procurar ser evasivo. É preciso estabelecer uma relação serena com os representantes do mundo da informação, aceitando o seu papel e procurando ser uma fonte credível e respeitada. É necessário dizer só a verdade, ainda que não toda, e ajudar os jornalistas a executar o próprio dever, pretendendo, contudo, o respeito pelos próprios direitos, sem esperar deles competências técnicas que não têm e não devem ter. E é sempre importante recordar que ser compreendido é um problema de quem comunica, não de quem escuta”.

Uma forma de contornar a verdade... “A notícia deve ser divulgada à comunicação social possivelmente no final da noite, de Sexta para Sábado, de modo a dar o menos tempo possível para elaborar o notícia, fazendo-a, por conseguinte, chegar quando também os espaços de redacção já foram atribuídos. Relativamente aos conteúdos, a notícia deve ser o mais fria possível, procurando retirar-lhe qualquer appeal jornalístico possível” (Christiane Mirabaud) pag 98

 

7) Crise= oportunidade. Um exemplo: pode ser uma oportunidade de voltar a ganhar a confiança interna, dos colaboradores, comunicando com eles, dando-lhes informações privilegiadas; também pode ser uma oportunidade para corrigir os erros históricos (do passado) e assim habilitar melhor a empresa no futuro (“grandes males, grandes remédios”); além disso, as crises oferecem às administrações a oportunidade de demonstrar a capacidade de enfrentar a capacidade de enfrentar circunstâncias difíceis (e isso costuma ser bem premiado pelos mercados financeiros)

 

8) (sobre a necessidade de adaptar as mensagens aos diferentes públicos, para além daquele que parece ser o mais directo, os jornalistas, trabalho que também pode estar na dependência dos assessores ou dos consultores): “cada categoria de interlocutores precisa de formas de comunicação diferentes (...) mensagens específicas, coerentes entre si, mas visando os seus interesses directos” (Luigi Norsa, 50)

 

9) sobre o portavoz: “Não se esqueça de reconhecer e declarar que qualquer doença, ferida ou morte é uma tragédia. Um frio tecnocrata ou um cientista, por mais competente que seja, serás sempre visto com maior desconfiança do que quem aparece a partilhar os sentimentos humanos. «Be a person before be a spokesperson». Lembre-se que as pessoas, quando suficientemente motivadas, são capazes de compreender informações complexas sobre os riscos, ainda que não estejam necessariamente de acordo consigo” (Norsa, 119)